segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Convergência: sociedade participativa



Observada em inúmeros processos de circulação de conteúdos por diferentes suportes e caminhos midiáticos, a chamada cultura da convergência extrapola os limites tecnológicos e, passa a representar as particularidades subjetivas do indivíduo que constrói suas próprias conexões de acesso às informações de seu interesse. De acordo com Jenkins (2008, p. 27), “Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando.”
Os até então dispersos meios de comunicação passam a interagir através de aplicativos compatíveis entre si e as informações que transitam nessa rede ganham uma nova roupagem quando atingem o consumidor final. Conforme enfatiza Jenkins (2008, p. 36):
Diversas forças, contudo, começaram a derrubar os muros que separam esses diferentes meios de comunicação. Novas tecnologias midiáticas permitiram que o mesmo conteúdo fluísse por vários canais diferentes e assumisse formas distintas no ponto de recepção.

As tradicionais relações entre as vias tecnológicas e seus usuários vêm dando espaço para que estes, através da escolha de uma ferramenta ou do uso de várias, simultaneamente, possam elaborar, disseminar e principalmente, compartilhar conteúdos na rede por meio de dispositivos fixos e móveis:

A convergência tecnológica parece tender a cancelar a validade de fronteiras entre diferentes tipos de produtos intelectuais e serviços informativo-culturais, bem como a suprimir as linhas divisórias entre comunicação privada e de massa, entre meios baseados em som e em vídeo, entre texto e vídeo, entre as imagens baseadas em emulsão e as eletrônicas e mesmo, a fronteira entre o livro e a tela. (MIRANDA, 2000, p. 79).

A cultura da convergência reflete a nova cultura participativa, na qual o indivíduo interage e edifica novos ambientes e valores sociais. Tal indivíduo estabelece uma rede de significados em relação ao que vê, ouve e lê. É um ser plural, nada passivo, que consome informação a seu modo e agrega valores a coisas e situações aparentemente insignificantes. Através da relação com os novos saberes, são criados laços sociais de comunicação e aprendizado:
Toda atividade, todo ato de comunicação, toda relação humana implica um aprendizado. Pelas competências e conhecimentos que envolve, um percurso de vida pode alimentar um circuito de troca, alimentar uma sociabilidade do saber. (LEVY, 2007, p. 27).

A participação das pessoas na construção de novos valores econômicos, políticos e sociais é um reflexo da convergência de mídias distintas e compatíveis entre si, cada vez mais direcionadas ao interesse da coletividade. Cada vez mais, as economias de mercado estão interessadas nos grupos formadores de opiniões, nos consumidores finais de seus produtos. Os grupos sociais, seus valores, crenças e conhecimentos compartilhados em diferentes canais midiáticos constroem regras subjetivas e submetem grandes corporações à remodelagem de seus processos, à reavaliação de conceitos e diretrizes.
Um novo ser humano, autônomo e participativo está emergindo deste mar tecnológico, onde vários e múltiplos segmentos sociais convergem e traçam novos limites, novas dimensões e possibilidades interativas.
 

REFERÊNCIAS

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008. p. 25-51. Disponível em: <http://portalliteral.terra.com.br/lancamentos/download/9065_capitulo_1__culturadaconvergencia.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2011.
LEVY, Pierre. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=N9QHkFT_WC4C&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 27 nov. 2011.
MIRANDA, Antonio. Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos. Ci. Inf., Brasília, v. 29, n. 2, p. 78-88, maio/ago 2000. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a10v29n2.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2011.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O social na rede




As comunidades e redes sociais virtuais são construídas, mantidas e divulgadas entre indivíduos que compartilham interesses em comum. É a face mais expressiva da internet colaborativa. Constitui-se na ocupação do espaço virtual de forma personalizada e global. Segundo enfatiza Recuero (2009, p. 25):
Rede social é gente, é interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de estrutura, a estrutura de rede. Os nós da rede representam cada indivíduo e suas conexões, os laços sociais que compõem os grupos.

As possibilidades de interação permitidas pelas redes e comunidades virtuais facilitam o trânsito da informação através de conexões cada vez mais complexas e heterogêneas. As pessoas, enquanto ponto de referência e acesso aderem a sites como o Orkut, Facebook, Myspace, Twitter, Linkedin, dentre outros, participam de listas de discussões e fóruns com o intuito de trocar experiências, estabelecer vínculos, opinar sobre assuntos de interesse. E toda essa convergência de opiniões, idéias e vivências são fortalecidas no ambiente virtual, de acordo com Hillis (2004, p. 115):
[ . . . ] os ambientes virtuais na verdade propõem que os usuários experienciem as concepções de outrem (o que em si não é um fenômeno novo), representadas como sensações muito vívidas, experenciadas por meio de um processo de imersão (um novo fenômeno que reduz a distância ou o espaço entre o objeto e o sujeito).

Tal imersão impulsiona o fortalecimento de redes colaborativas que, por meio de seus próprios canais permitem a troca de conhecimento em tempo real e na medida certa. Grande ícone da construção colaborativa do conhecimento, a Wikipédia mobiliza milhões de pessoas a colaborar na construção de conceitos e verbetes nos mais diversos assuntos e idiomas. Outra referência da internet colaborativa é o Crowdsourcing que, conforme a enciclopédia citada: “é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias.” (WIKIPÉDIA, 2011).
As modalidades de troca de dados, informação e conhecimento estão sendo reestruturadas num ambiente virtual cada vez mais “real”. O compartilhamento acontece de forma colaborativa e espontânea, as ideias e os conceitos são socialmente divididos e multiplicados entre as partes interessadas. E é nessa nova esfera que os profissionais da informação devem se movimentar e atuar. Criar vínculos com seus usuários através de comunidades virtuais, abrir espaço para as contribuições destes, planejar e construir ações em parceria com todos aqueles que utilizam ou possam vir a utilizar os serviços da Unidade de Informação. É grande o potencial das comunidades e redes sociais virtuais, sua consolidação é evidente e está redesenhando as bases convencionais da economia, da política e das relações humanas.
Compartilhar é tudo de bom!


REFERÊNCIAS

HILLIS, Ken. Sensações digitais. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2004. p. 115.
RECUERO, Raquel. Redes sociais. In: SPYER, Juliano (org.). Para entender a internet: noções, práticas e desafios da comunicação em rede. 2009. Disponível em: < http://www.esalq.usp.br/biblioteca/PDF/Para_entender_a_Internet.pdf >. Acesso em: 21 nov. 2011.
WIKIPÉDIA. Crowdsourcing. 2011. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing >. Acesso em: 21 nov. 2011.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Galerias virtuais


Os indivíduos estão reconstruindo suas identidades tanto pessoais como coletivas a todo momento. É de ressaltar, portanto, que ao considerarmos os museus como instituições que lidam com a construção da memória, não há como ignorarmos que eles fazem parte da história, de um processo aberto cujo destino está em aberto. (SANTOS; CHAGAS, 2007, p. 13).

Os museus, representações da memória coletiva de instituições, lugares e períodos, resguardam os tesouros patrimoniais da humanidade. Originaram-se do hábito do homem em colecionar objetos. A definição de museu segundo o Comitê Internacional de Museus – ICOM (2001):
Instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e do seu entorno, para educação e deleite da sociedade.

Pela ótica contemporânea, esses espaços vêm modificando as suas raízes de interatividade, seus acervos tridimensionais estão ocupando ambientes virtuais e sendo vistos por uma infinidade de pessoas ao redor do planeta. De acordo com Carvalho (2008, p. 84), “A existência simultânea de museus físicos e eletrônicos constitui uma marca deste século no âmbito cultural contemporâneo.”

Visita virtual: webmuseus
Seguem algumas observações sobre os recursos utilizados por webmuseus, ou museus virtuais, e suas possibilidades de interação com o visitante em ambiente virtual.

Museu da Pessoa
O acervo do museu virtual Museu da Pessoa é construído de forma colaborativa e gratuita com a participação de todas as pessoas que queiram compartilhar suas histórias de vida, através de depoimentos em vídeo, fotos e áudio. O recurso de busca utilizado no site permite a pesquisa pelo nome da pessoa (depoente), é possível navegar pelas categorias: Exposição (Educação, História, Vida cotidiana, Sociedade, Economia e Cultura), Coleções (criadas pelos internautas e pelo Museu da Pessoa), Fotografias (busca por álbuns), Rádio Museu da Pessoa (busca por áudios). O site no geral é bem intuitivo e de fácil navegação. A proposta de interação acontece por meio da participação das pessoas, de seus depoimentos e compartilhamento de documentos pessoais como as fotografias que compõe o acervo do museu.

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand - MASP
Na página inicial do MASP há a divulgação das exposições correntes. A categoria Acervo traz a possibilidade de busca por autor, título, categoria da obra e tipo de obra, os resultados da busca apresentam as imagens das obras selecionadas com uma descrição detalhada. Ao clicar da imagem, esta abre numa dimensão maior. Na categoria Visite o Museu, são encontradas informações de localização, horário de funcionamento e demais serviços. Através de sua Galeria de Imagens (fotografias) é possível conhecer a parte externa e interna do museu. Com o recurso ZoomArt disponibilizado no menu inferior há a possibilidade de aproximar os detalhes de algumas obras em exposição. Os recursos de interatividade possibilitam que as imagens das obras das exposições permanentes e temporárias, em geral, aumentam de tamanho uma vez.

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli- MARGS
Na categoria Acervo há duas subcategorias que podem ser consultadas: Perfil (informações sobre o perfil do acervo, origens e desenvolvimento da coleção) e Seleção de Obras (a busca por obras do acervo podem acontecer através da escolha da técnica empregada pelo autor, como aquarelas, esculturas, desenhos, gravuras, ou por busca percorrendo uma lista em ordem alfabética). O item Tour Virtual permite conhecer o museu através de fotografias da parte externa e interna do museu. O menu interativo localizado à esquerda é inconstante para a navegação, ao passar o mouse é difícil fixar na categoria que se deseja visualizar.

Museu virtual de Arte Brasileira
No momento da visita virtual, em 07 de novembro de 2011, a página estava em construção: “Estamos acertando os ponteiros e melhorando o Museu Virtual. Para receber informações sobre as atividades que futuramente desenvolveremos no MVAB assine a nossa lista.” (MVAB, 2011).

The Virtual Museum of Iraq
O Museu Virtual o Iraque é um projeto do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), corresponde a uma versão virtual do Museu Nacional do Iraque, sua coleção é composta por obras históricas da civilização que habitava a região do rio Tigre e Eufrates. Na página inicial há uma animação com um mapa da região da antiga Mesopotâmia. Na sequência abre o Hall com as salas para visitação de arte pré-histórica, suméria, assíria, islâmica, entre outras. As obras estão em 3D, ao clicar elas se destacam do entorno e apresentam as opções para se obter uma descrição da obra, outra para uma exploração mais detalhada e ainda, há a oportunidade do visitante apreciar um vídeo acompanhado de narrativa. A música que acompanha a visita, característica daquela região, reproduz a atmosfera que remete às regiões das quais as obras foram originadas. Faltam informações introdutórias que apresentem o museu e suas propostas de interação.

Web Gallery of Art
O Wen Gallery of Art é um museu virtual e um banco de dados para pesquisadores da pintura e escultura européia. As obras da coleção são acompanhadas por informações históricas, por detalhes da obra e do artista que a realizou. Apresenta uma ferramenta de busca por artista, período histórico, tipo de obra, ano de execução. A opção Tours possibilita um passeio pelos diversos gêneros artísticos da arte européia. Em Dual-Window View, partindo da escolha do artista e sua abra, esta pode ser dimensionada para uma visualização de 25% a 200%. Os recursos de interatividade são limitados.

Museu Virtual de Artes El País– MUVA II.
O MUVA II é um museu estritamente virtual criado com o intuito de suprir as limitações socioeconômicas de algumas localidades do Uruguai que não podem arcar com a construção de um museu novo. Ultrapassando as barreiras físicas de infraestrutura e desenvolvimento de coleções de qualidade, o MUVA II torna-se referência na divulgação de artistas uruguaios e latino americanos. Há vários recursos de navegação e interatividade. O museu possui dois pisos com salas distintas que abrigam as exposições. Ao selecionar uma obra outra página é carregada com informações sobre o artista e a obra escolhida, é possível aproximá-la com o recurso de zoom. O visitante pode agregar obras e montar uma coleção particular no site através da opção Mi Colección. Nos recursos de multimídia há vídeos com entrevistas e depoimentos do artista da obra que está sendo visualizada. O site apresenta alto índice de interação, os recursos de navegação permitem de maneira fácil e intuitiva a localização das informações que se pretende explorar.

Considerações
Os museus virtuais funcionam como agentes facilitadores na democratização do acesso à arte e à cultura como um todo. A apreciação de uma obra num ambiente virtual, quando acompanhada dos recursos adequados, de zoom, som, imagem e informações adicionais se transforma numa experiência enriquecedora. Pessoas que se encontram distantes dos grandes centros podem, através de uma visita virtual interagir com esses espaços únicos através de um computador conectado à internet. E ainda, os webmuseus que possuem uma “versão física” podem estimular o visitante à conhecer o seu acervo in loco.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Rosane Maria Rocha de. Comunicação e informação de museus na internet e o visitante virtual. Revista Museologia e Patrimônio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, jul./dez. 2008. Disponível em: < http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/viewFile/8/4>. Acesso em: 07 nov. 2011. p. 84.

COMITÊ INTERNACIONAL DE MUSEUS – ICOM. Definição [de museu] aprovada pela 20. Assembléia Geral. Barcelona, Espanha, 6 de julho de 2001. Disponível em: < http://www.museus.gov.br/sbm/oqueemuseu_museusicom.htm >. Acesso em: 07 nov. 2011.
SANTOS, Myrian Sepúlveda dos; CHAGAS, Mário de Souza. A linguagem de poder dos museus. In: ABREU, Regina; CHAGAS, Mário de Souza; SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. (orgs.). Museus, coleções e patrimônios: narrativas polifônicas. Rio de Janeiro: Garamond, MinC/IPHAN/DEMU, 2007. p. 12-19.

FONTES CONSULTADAS

INSTITUTO MUSEU DA PESSOA. O que é o museu. [20--]. Disponível em: < http://www.museudapessoa.net/oquee/>. Acesso em 07 nov. 2011.

MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO ASSIS CHATEUBRIAND - MASP. Acervo: a coleção do MASP. [20--]. Disponível em: <http://www.masp.art.br/masp2010/acervo_sobre_o_acervo_do_masp.php>. Acesso em: 07 nov. 2011.

MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE DO SUL ADO MALAGOLI – MARGS. Acervo: perfil do acervo. [20--]. Disponível em: < http://www.margs.rs.gov.br/acervo_perfil.php >. Acesso em: 07 nov. 2011.

MUSEU VIRTUAL DE ARTE BRASILEIRA – MVAB. 2011. Disponível em: <http://www.museuvirtual.com.br/>. Acesso em: 07 nov. 2011.

MUSEU VIRTUAL DE ARTES EL PAÍS– MUVA II. Finalidades. [20--]. Disponível em: <http://muva.elpais.com.uy/flash/muva.htm?&lang=sp>. Acesso em: 09 nov. 2011.

MUSEU virtual do Iraque exibe tesouros históricos na web. 10 jun. 2009. Disponível em: <http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI3817639-EI12884,00-Museu+virtual+do+Iraque+exibe+tesouros+historicos+na+web.html>. Acesso em: 09 nov. 2011.

THE VIRTUAL MUSEUM OF IRAQ. Halls. [20--]. Disponível em:
<http://www.virtualmuseumiraq.cnr.it/homeENG.htm>. Acesso em: 09 nov. 2011.

WEB GALLERY OF ART. Welcome to the Gallery!. Disponível em:  
<http://www.wga.hu/frames-e.html?/welcome.html>. >. Acesso em: 09 nov. 2011.

domingo, 6 de novembro de 2011

A nova face da leitura



O ambiente digital propicia ao leitor novas experiências na construção do conhecimento. Novas posturas e atitudes devem ser adotadas para se extrair um melhor proveito das tecnologias que apontam. Simeão e Miranda (2005, p. 69), destacam: “A produção da informação em uma sociedade global e virtual gera novas práticas de leitura e interação.” A cultura digital está delineando novos caminhos para a disseminação das produções intelectuais, sejam elas individuais, coletivas ou colaborativas, nos mais diversos gêneros. No centro de tais abordagens destaque para os e-books, livros digitais que vêm desafiando o reinado dos livros impressos. “A mobilidade, a sustentabilidade ambiental e econômica são vantagens do livro digital, além da democratização da informação.” (CULTURA..., 2011, p. 37).
Os tablets e os e-readers são os dispositivos eletrônicos mais difundidos e utilizados para a prática da leitura digital, além dos smartphones, laptops e computadores convencionais. O iPad, tablet de sucesso da Apple, além de desenvolver aplicativos direcionados aos leitores digitais entre jovens e adultos, investe em aplicativos específicos voltados para o público infantil, (ALICE..., 2011) :

O setor editorial se vê diante de um desafio quanto à exploração comercial dos e-books no país. Keller apud Cultura... (2011, p. 37) destaca sua experiência como coordenador da divisão de publicações eletrônicas da Edipucrs , “ Quando começamos a parte de publicação eletrônica, era preciso um trabalho de convencimento do autor, pois o apelo do papel era muito forte. Hoje a demanda por e-books é crescente e tem fila de espera.” A Editora Universitária da PUCRS conta atualmente com 147 obras no formato digital. Para o consumidor brasileiro, as barreiras que impedem o consumo de obras em formato digital são os preços dos dispositivos eletrônicos (a concorrência entre os fabricantes vêm diminuindo seu custo cada vez mais), a falta de compatibilidade entre formatos e aplicativos e a baixa oferta de títulos em português.
A Amazon empresa fabricante do e-reader Kindle, lançou recentemente para seus clientes norte-americanos o Lending Library, um serviço que permite o empréstimo gratuito de milhares de livros sem prazo de entrega. Conforme Pinheiro (2011), “é possível alugar um livro de cada vez, com limite de um título por mês, [ . . . ] entre os mais de 5 mil títulos que estão disponíveis encontram-se cerca de 100 atuais ou antigos bestsellers do New York Times.”



E a biblioteca? Qual o seu papel nessa sociedade da informação cada vez mais complexa e imediatista? A gestão e a construção de um acervo digital e até mesmo a implantação de uma biblioteca digital é um desafio que se faz presente. Em uma biblioteca digital, de acordo com Procópio (2004, p. 26), “Milhares de pessoas poderão ter acessos a livros sem o oneroso custo do papel ou da distribuição física.” E ainda:
Em uma Biblioteca Pública Digital, ou uma Biblioteca Digital Comunitária, é possível o acesso universal em qualquer lugar que tenha computadores disponíveis conectados à Web, o que permite a qualquer pessoa ler, estudar, aprender a interagir com um universo literário. (PROCÓPIO, 2004, p. 25).

O livro impresso não está fadado ao fim, o que está acontecendo é uma dinamização no processo de consumo da informação. Acredito que o livro impresso irá coexistir pacificamente com o livro em formato digital. É preciso aceitar tais transformações e elaborar políticas que contemplem esse novo ambiente informacional, essa esfera virtual tão rica em conteúdos dinâmicos e originais. O comportamento dos novos leitores digitais deve ser considerado nos estudos de usuários atuais. As bibliotecas e demais Unidades de Informação devem favorecer a democratização do acesso a conteúdos em diferentes plataformas e de quebra promover a inclusão digital de boa parte da população.
 
 
REFERÊNCIAS

ALICE in Wonderland: iPad ebook. 2011. 1 vídeo. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=ffFmtQWrYNg&feature=related>. Acesso em: 04 nov. 2011.
CULTURA digital enriquece o mundo da leitura. Porto Alegre, PUCRS Informação, n. 156, set./out. 2011. Edição impressa.
PINHEIRO, Carlos. Amazon lança serviço gratuito de empréstimo de ebooks. Ler ebooks, 03 nov. 2011. Disponível em: <http://lerebooks.wordpress.com/category/e-readers/>. Acesso em: 05 nov. 2011.
PROCÓPIO, Ednei. As possibilidades de uma biblioteca digital. In: ______. Construindo uma biblioteca digital. São Paulo: EI – Edições Inteligentes, 2004. Disponível em: <http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/download/bibliotecadigital.ppd>. Acesso em: 06 nov. 2011.
SIMEÃO, Elmira; MIRANDA, Antonio. O texto virtual e os sistemas de informação: nova leitura das propostas de Ítalo Calvino. Brasília: Thesaurus, 2005.