segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fotografia Hoje e Sempre



A evolução da imagem fotográfica acompanhou a evolução da humanidade. Desde a sua invenção, na primeira metade do século XIX, a fotografia, seu registro instantâneo de acontecimentos, dos mais importantes aos mais triviais, seu significado simbólico e sua carga informacional, a transformaram num documento de inestimável valor; não seria possível imaginar o registro do conhecimento humano sem a presença da fotografia como elemento complementar à escrita. De acordo com Rodrigues (2007, p. 70):
A fotografia traz em si uma mensagem que é produzida por alguém, transmitida por algum tipo de mídia e absorvida por um receptor que dela fará uso, mesmo que apenas no nível de uma visualização despretensiosa. Todavia, qualquer que seja o uso que dela irá fazer, o receptor, ao interpretá-la, será influenciado por suas próprias imagens mentais e por todo o aparato cognitivo, cultural, ideológico, religioso, político, etc.,que adquiriu durante os anos e que são parte de sua vida. Essas influências fazem com que uma mesma foto possa sofrer diversos tipos de interpretação quando vista por diferentes receptores.



Historicamente, os primeiros passos da fotografia, segundo Oliveira ([20--], p. 1), “[ . . . ] deve-se a astrônomos e físicos que observavam os eclipses solares por meio de câmeras obscuras, princípio básico da câmara fotográfica.” A câmera obscura foi utilizada por artistas como Leonardo da Vinci (1452-1519), em 1558 o cientista napolitano Giovanni Baptista Della Porta registrou detalhes do funcionamento da câmera. Como as imagens feitas por tal equipamento não resistiam aos efeitos do tempo e da luz, em 1816, o francês Joseph Nicéphore Niépce iniciou suas pesquisas para um registro mais eficaz; em 1827 utilizando um material recoberto com betume da Judéia e posteriormente com sais de prata, ele conseguiu gravar imagens, técnica conhecida como heliografia. Niépce associa-se ao pintor francês Louis Jacques Mandé Daguerre que desenvolvia um projeto semelhante utilizando a câmera obscura juntamente com placas de cobre recobertas com prata polida e vapor de iodo, tal método ficou conhecido como daguerreótipo. Entre 1832 e 1839 um francês radicado no Brasil, Antoine Hercule Romuald Florence, utilizava um método de impressão pela sensibilização de sais de prata pela luz do sol, foi pioneiro ao batizar tal descoberta como photographie.


O crescente avanço das técnicas fotográficas causou um alvoroço entre os artistas da época, conforme Oliveira ([20--], p. 3):
Com o anúncio da gravação da imagem por Daguerre na Europa, logo se instituiu uma grande polêmica entre os pintores. Eles acreditavam que o novo método acabaria com a pintura, não admitindo, portanto, que a fotografia pudesse ser reconhecida como arte, uma vez que era produzida com auxílio físico químico.

Segundo Oliveira ([20--], p. 3), a discussão é retomada nos dias atuais no que tange a captação de imagens, entre a fotografia analógica e a fotografia digital. A fotografia analógica desde a sua criação manteve seus princípios ópticos e formatos convencionais inalterados e ganhou dimensão mundial através do fotojornalismo. No entanto, com o surgimento de equipamentos mais leves e mais acessíveis juntamente com o aperfeiçoamento das tecnologias digitais, o método analógico aos poucos foi perdendo seu espaço. Oliveira ([20--], p. 4) enfatiza:

Como meio virtual em que imagem é transformada em milhares de pulsos eletrônicos, a fotografia digital pode ser armazenada em computadores, disquetes, CD-Rom ou cartões de memória e dessa forma, ser transmitida por satélite logo após sua produção, com a ajuda de um computador portátil e telefone. Uma rapidez que a fotografia analógica não dispõe.

A fotografia enquanto documento passível de ser organizado, indexado, armazenado e recuperado, deve ser contemplada pelos profissionais da área da Ciência da Informação quanto ao domínio de suas técnicas e formas de disseminação. Conforme Rodrigues (2007, p. 74):

O uso de imagens fotográficas em documentos técnico-científicos e, principalmente, em mídias diversas (jornais, revistas, peças publicitárias etc.), como parte da elaboração de matérias informativas, aumentou nos últimos anos, notadamente após o aparecimento e crescimento da tecnologia digital fotográfica e da facilidade de armazenamento de imagens em bancos de dados disponíveis via Internet.

Do profissional da informação, segundo Silva (2006, p. 6), é necessária além dos conhecimentos técnicos, a sua capacidade cognitiva para avaliar o conteúdo das imagens, pois trata-se de uma linguagem não-textual, que necessita de uma leitura e interpretação para posterior consulta e recuperação  da informação.

A fotografia enquanto registro informacional permeia todas as áreas do conhecimento e vem provocando mudanças de paradigmas por onde passa. Pelo seu forte apelo visual, se configura como uma fonte fidedigna da retratação do instante em que foi captada. Embora os softwares de manipulação de imagens coloquem em dúvida a autenticidade de alguns registros, a fotografia digital, está tomando cada vez mais espaço nas mídias emergentes. Merece uma especial atenção quanto ao seu registro e manipulação e oferece um leque de oportunidades e desafios aos profissionais da informação que se dedicam a explorá-la.


Referências

OLIVEIRA, Erivam Morais de. Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital. [20--].Disponível em: < http://www.bocc.ubi.pt/pag/oliveira-erivam-fotografia-analogica-fotografia-digital.pdf >. Acesso em: 18 set. 2011.

RODRIGUES, Ricardo Crisafulli. Análise e tematização da imagem fotográfica.  Ci. Inf., Brasília, v. 36, n. 3, p. 67-76, set./dez. 2007. Disponível em:
<http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/1006/737>. Acesso em: 18 set. 2011.

SILVA, Rosi Cristina da. O profissional da informação como mediador entre o documento e o usuário: a experiência do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco.In: CONGRESSO NACIONAL DE ARQUIVOLOGIA, 2., 2006, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul, 2006. Disponível em:
<http://www.aargs.com.br/cna/anais/rosi_silva.pdf>. Acesso em: 18 set. 2011.


Nenhum comentário:

Postar um comentário