sábado, 29 de outubro de 2011

Notícia na rede


     A partir da escolha de uma notícia veiculada em jornais nacionais e internacionais, segue uma análise das diferentes abordagens encontradas.
     A notícia selecionada, divulgada no dia 27 de outubro de 2011 nos principais jornais do mundo, traz a declaração do presidente francês Nicolas Sarkozy em entrevista transmitida ao vivo pelas duas grandes redes de televisão do país, aos telespectadores franceses. Dentre os assuntos abordados por Sarkozy, o que mais chamou a atenção da imprensa internacional foi sua declaração acerca da entrada da Grécia na Zona do Euro: "Aceitar a Grécia no euro foi um erro."

ESTADÃO – São Paulo, SP (Brasil)
Título de divulgação: “Foi um ‘erro’ admitir a Grécia no euro em 2001, diz Sarkozy”
     A notícia enfatiza a declaração do presidente da França Nicolas Sarcozy, nesta quinta-feira, dia 27 em rede nacional francesa, sobre a entrada da Grécia na zona do euro. Segundo Gozzi (2011), Sarkozy declara que foi um erro admitir o país que há dez anos entrou com dados econômicos falsos. Traz uma passagem veiculada no The Guardian: "Se o euro tivesse explodido ontem à noite, toda a Europa teria explodido junto. Se a Grécia tivesse dado calote, haveria um efeito dominó que arrastaria todo mundo junho.", declarou Sarkozy. (GOZZI apud THE GUARDIAN, 2011).
     De acordo com Gozzi (2011), o presidente admite que graças às decisões tomadas em Bruxelas, a Grécia ainda tem grandes chances de se salvar.
     Além do posicionamento do líder francês que repercutiu no mundo inteiro, a reportagem traz a afirmação de Sarkozy quanto à participação da China nos mercados mundiais, com relação ao sistema global de câmbio. E ainda, sobre a ação de monitoramento dos bancos franceses a fim de fortalecer os níveis de capital.

JORNAL DO BRASIL – Rio de Janeiro, RJ (Brasil)
“Sarkozy diz que entrada da Grécia na Zona do Euro foi um erro”, assim destaca o Jornal do Brasil, em notícia veiculada em 27 de outubro de 2011.
     Segundo o Jornal do Brasil (2011), o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou nesta quinta-feira que “confia” que a Grécia sairá da crise que ameaça se propagar para outros países europeus, apesar de considerar “um erro” a entrada desse país na Zona do Euro em 2001. De acordo com o JB (2011), Sarkozy, fez tal declaração com o intuito de explicar o plano ‘anticrise’ adotado em Bruxelas, antes de afirmar que acredita na recuperação da Grécia.
     A notícia destaca a declaração do presidente francês, segundo o JB (2011), sobre o acordo realizado em Bruxelas, na noite anterior à declaração: “[ . . . ] se não tivéssemos chegado a um acordo na noite de ontem, não era apenas a Europa que ia afundar, mas o mundo inteiro. ”

EL PAÍS  - Madrid (Espanha)
Sarkozy: "Hemos evitado una catástrofe al mundo entero" (“Evitamos uma catástrofe para o mundo”), o título da notícia resume a declaração do presidente francês.
     O jornal espanhol destaca a necessidade do presidente em proteger os franceses da crise. Enfatiza de forma dramática que Sarkozy estava apocalíptico, “[ . . . ] entregue de corpo e alma a salvação dos franceses, europeus [ . . . ].” (MORA, 2011).
     Sobre a Grécia e sua vinculação à zona do euro em 2001, Sarkozy, segundo Mora (2011), diz que foi um erro porque o país entrou apresentando números falsos, que não estava preparada e que no momento todos estão sofrendo com as conseqüências.
     Além da declaração sobre a Grécia, a reportagem traz os posicionamentos do presidente sobre a sua candidatura no final de janeiro, as relações estreitas entre França e Alemanha e sobre a baixa na previsão de crescimento da França para 2012.

LE MONDE – Paris (França)

“Les 10 leçons de l'intervention de Nicolas Sarkozy” ( “As 10 lições da intervenção de Nicolas Sarkozy “), título veiculado no Le Monde, nesta quinta-feira, dia 27 de outubro de 2011.

      A reportagem mostra um panorama completo da declaração do presidente francês Nicolas Sarcozy, em rede nacional francesa. Enumera em dez tópicos, as principais abordagens do presidente. O primeiro deles, e o que mais repercutiu na imprensa internacional, de acordo com o Le Monde (2011), foi: “Aceitar a Grécia no euro foi um erro.” Nicolas Sarcozy, segundo Le Monde (2011), diz que nem ele, nem a chanceler alemã, estavam no poder quando foi decidida a admissão da Grécia no euro, e defendeu ainda, uma integração mais econômica e menos política na UE-27.

     A notícia destaca outros tópicos de interesse à população francesa como as questões das aposentadorias, faz críticas aos bancos e seus sistemas financeiros, aos cortes de gastos públicos em outros países, menciona a convergência com a Alemanha com relação a taxa de imposto, a importância da reciprocidade no comércio internacional. Destaque também para a revisão do crescimento de um novo plano de poupança francês e, para a contratação e remuneração de funcionários públicos, dentre outros tópicos.

Análise
     A notícia sobre a declaração do presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentada pela ótica de dois jornais nacionais – Estadão (O Estado de São Paulo) e Jornal do Brasil, e ainda, por dois jornais internacionais – El País e Le Monde, enfatiza uma parte do discurso do líder francês em rede nacional. A exceção do jornal Le Monde que pontuou outros tópicos de interesse da população francesa. A declaração de que a entrada da Grécia na Zona do Euro foi um erro, constitui boa parte da matéria no Estadão, no Jornal do Brasil e no El País, pois as informações adicionais giram em torno desse núcleo. O autor da notícia veiculada no Estadão traz uma passagem do The Guardian para exemplificar e dar mais credibilidade ao conteúdo. Já no Le Monde outras questões coexistem, há vários núcleos, todos de interesse dos franceses e demais países europeus, o conteúdo engloba questões de ordem política e econômica.
     A notícia veiculada online não difere das edições impressas quanto à necessidade de tais canais de comunicação em despertar o interesse dos leitores, estes cada vez mais críticos e exigentes. A estratégia para chamar a atenção para determinados acontecimentos está atrelada a fatos impactantes e polêmicos, no caso citado, um líder de Estado declara, de forma pouco diplomática, o seu posicionamento com relação a uma situação de crise. É notório que as notícias de maior repercussão são aquelas que envolvem personagens de destaque e influência global, em situações globais de interesse político, econômico, cultural, ambiental, etc. Os diferentes enfoques apresentados, muitas vezes de forma sutil, carregam uma porção de parcialidade, diversos aspectos devem ser avaliados e contextualizados para uma argumentação menos ‘enfeitada’ e mais próxima do real. Esta visão sistêmica deve fazer parte das práticas do profissional da informação, por exemplo, quando for preciso direcionar e orientar o usuário para tais fontes de informação. Com uma orientação adequada o usuário acaba aprimorando seu senso crítico, suas habilidades de pesquisa, torna-se desta forma, mais seletivo e eficiente nas suas buscas.


REFERÊNCIAS

GOZZI, Ricardo. Foi um ‘erro’ admitir a Grécia no euro em 2001, diz Sarkozy.  Estadão, São Paulo, SP, 27 out. 2011. Disponível em: < http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,foi-um-erro-admitir-a-grecia-no-euro-em-2001-diz-sarkozy,90065,0.htm>. Acesso em: 28 out. 2011.
LES 10 LEÇONS de l’intervention de Nicolas Sarkozy. Le Monde, Paris, 27 out. 2011. Disponível em: <http://www.lemonde.fr/politique/article/2011/10/27/les-10-lecons-de-l-intervention-de-nicolas-sarkozy_1595347_823448.html#ens_id=1595324>. Acesso em: 28 out. 2011.
MORA, Miguel. Sarkozy: ”hemos evitado una  catástrofe al mundo entero”. El País, Madrid, 27 out. 2011. Disponível em: <http://www.elpais.com/articulo/economia/Sarkozy/Hemos/evitado/catastrofe/mundo/entero/elpepueco/20111027elpepueco_20/Tes>. Acesso em: 28 out. 2011.
SARKOZY diz que entrada da Grécia na Zona Euro foi 'erro'. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 27 out. 2011. Disponível em: <http://www.jb.com.br/economia/noticias/2011/10/27/sarkozy-diz-que-entrada-da-grecia-na-zona-euro-foi-erro/>. Acesso em: 28 out. 2011.

domingo, 23 de outubro de 2011

A notícia na web


O formato tradicional do jornal impresso vem aos poucos perdendo espaço para as publicações online. Grandes jornais estampam suas principais manchetes na rede num ritmo acelerado e de forma cada vez mais direcionada e colaborativa.  A possibilidade de efetuar links para informações similares e complementares caracterizam a nova face do intitulado webjornalismo:
Ao transferir-se para a internet, o velho jornalismo-produto se transforma num jornalismo-serviço, um fluxo contínuo de informação que se acumula, indexada, no sítio web, colocando-se à disposição dos usuários que queiram consumi-la. Esse processo significa a desconstrução dos produtos jornalísticos que foram criados ou tiveram seu auge no século XX. (ALVES, p. 97, 2006).

Fonte: Google imagens

A editoração online de jornais e revistas, por ser mais viável economicamente que a versão impressa e apresentar a possibilidade de atualização instantânea de conteúdos, concorre diretamente com os canais habituais de disseminação de notícias como o rádio, a televisão e os periódicos impressos. Conforme Mielniczuk  (p. 5, 2001):
Na web a situação muda, a atualização das notícias pode ocorrer ininterruptamente. Já não é preciso esperar o jornal de amanhã ou o noticiário da noite. Em qualquer momento é possível acessar um webjornal e ler as notícias de interesse atualizadas.

Os novos modelos de interação oferecidos por inúmeras ferramentas na web fazem parte da rotina de milhões de pessoas ao redor do mundo, a relação das pessoas com os conteúdos online está cada vez mais estreita. Há uma nova configuração na organização e divulgação de conteúdos, tais fatos refletem diretamente nas práticas dos profissionais da informação (bibliotecários, arquivistas, museólogos). Exigem de tais profissionais uma readaptação de técnicas e rotinas de trabalho e principalmente, de uma postura aberta e proativa, em consonância com as novas exigências de mercado:
Os profissionais da informação devem, por sua vez, acompanhar todos os avanços tecnológicos, absorver suas potencialidades, aperfeiçoar e agregar valor a estes conhecimentos e, se for o caso, desenvolver novas metodologias para estruturar e tornar acessível a massa de informações disponibilizada na rede. Além disso devem ser capazes de adaptar ou migrar serviços convencionais ao novo meio e gerar novos serviços e produtos de informação, [ . . . ]. (LAMBERT, [2007]).

Como classificar, organizar e planejar o acesso de periódicos que se encontram exclusivamente online? Quais as chances de sucesso de uma indexação colaborativa? Pois esse é o novo cenário de atuação dos atuais e futuros profissionais da informação.
As vantagens que acompanham as publicações online de jornais e revistas, aliadas à aceitação e receptividade dos nativos digitais configuram um fenômeno que tende à expansão. A possibilidade de seleção e reconstrução de conteúdos através dos hiperlinks é uma prática comum entre os que consultam, trabalham, estudam e pesquisam na web. A adaptação dos profissionais da informação a essa nova veiculação de noticias e acontecimentos e aos recursos adicionais de vídeo, som e imagem, presentes em tais publicações é imprescindível. Diria vital.

Referências

ALVES, Rosental Calmon. Jornalismo digital: dez anos de web...e a revolução continua.  [Universidade do Minho], Comunicação e Sociedade, v. 9, n. 1, p. 93-102, 2006. Disponível em: <http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/viewFile/4751/4446>. Acesso em: 22 out. 2011
LAMBERT, Maria Betania M. A. O novo papel do profissional da informação na sociedade da informação. [2007]. Disponível em: <http://www.cinform.ufba.br/7cinform/soac/papers/473c6804ab40dff4b47411eded72.pdf>. Acesso em: 23 out. 2011.
MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web.  2001. Disponível em:  <http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2001_mielniczuk_caracteristicasimplicacoes.pdf>.  Acesso em: 22 out. 2011. (Trabalho apresentado no II Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2001).

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Repositórios de vídeos: a dinâmica da comunicação


Atendendo às novas demandas informacionais e otimizando a comunicação entre diversos segmentos da sociedade, os repositórios exercem, nos espaços virtuais, a função de facilitadores de acesso à informação e ao conhecimento. Concentram registros de diferentes tipos de documentos e formatos. Os repositórios institucionais (RIs), caracterizados como sistemas de armazenamento, preservação, organização e disseminação de informações de ensino e pesquisa, utilizam um software para o gerenciamento de tais atribuições. Quanto à terminologia Weitzel (2006) exemplifica:
De um modo geral, os termos repositórios institucionais ou temáticos são adotados para caracterizar os repositórios digitais que reúnem respectivamente a produção científica de uma instituição e de uma área.

No Brasil, o software mais conhecido e utilizado é o DSpace, que possui código fonte aberto: “Os repositórios DSpace permitem o gerenciamento da produção científica em qualquer tipo de material digital, dando-lhe maior visibilidade e garantindo a sua acessibilidade ao longo do tempo.”(IBICT, [20--]).
Uma das peculiaridades de tais sistemas (RIs) é a possibilidades de gestão e armazenamento de vídeos digitais de caráter acadêmico e educacional. Podemos citar como o exemplos o Zappiens.pt, o Zappiens.br e o Youtube EDU, dentre outros.
 O Zappiens.pt (http://zappiens.pt/index.php) é uma iniciativa da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) de Portugal , criado em 2008, com a finalidade de armazenar e divulgar conteúdos educativos, científicos, culturais e artísticos em formato de vídeo digital. Divide-se em cinco áreas temáticas: Artes e Humanidades, Ciências em geral, Ciências da Saúde, Ciências Sociais e Engenharias e Tecnologias.

O Zappiens.br (http://www.zappiens.br/portal/home.jsp), é um projeto experimental idealizado como um serviço gratuito de armazenamento e divulgação de conteúdo audiovisual em língua portuguesa que contempla diversas temáticas, tais como, educação, ciência, artes e cultura. Disponibilizado no Brasil em fevereiro de 2010 é de responsabilidade da Comissão de Trabalhos de Conteúdos Digitais (CT-Conteúdos) do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Foi criado em parceria com o Arquivo Nacional, a Universidade de São Paulo (USP), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) de Portugal. Possui atualmente 11.450 vídeos cadastrados.

O Youtube EDU (http://www.youtube.com/education?b=400) é um canal do Youtube, o mais popular site de compartilhamento e hospedagem de vídeos da internet. Possibilita assistir aulas e palestras das mais renomadas universidades americanas, tais como UCLA, Stanford, Dartmouth e Universidade de Rhode Island, que representam 4 das mais de 300 Universidades e colégios participantes. O Youtube EDU permite a criação de legendas em português de todas as vídeo-aulas disponíveis.

Os repositórios de vídeos representam um modelo dinâmico de aplicação do conhecimento para fins acadêmicos, educacionais, culturais e recreativos. A informação em movimento, por meio dos vídeos digitais é um fenômeno muito difundido e incorporado pela sociedade contemporânea. Conforme Olivatti (2008):
A internet tem progressivamente deixado de ser um meio elitista, e hoje faz parte do cotidiano de uma parcela considerável da população. Da mesma forma, os recursos de captação de imagens e som são cada vez mais acessíveis e simples de se operar.

Um novo formato de ensino e aprendizagem está tomando corpo e a sua evolução é ascendente, pois a cultura digital é parte integrante da rotina da maioria dos indivíduos.

Referências
IBICT. DSpace: repositórios digitais. Brasília, DF. [20--]. Disponível em: <http://dspace.ibict.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1>. Acesso em: 14 out. 2011.

OLIVATTI, Tânia Ferrarin. Youtube: novas práticas dos usuários em uma nova cultura digital. In: SIMPÓSIO DO LABORATÓRIO DE ESTUDOS EM COMUNICAÇÃO, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO CIDADÃ, 1., 2008, São Paulo. Anais... São Paulo: Unesp, 2008. Disponível em: < http://www2.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/eventos/simposio/anais/2008_LecoLec_256-267.pdf>. Acesso em: 14 out. 2011.


WEITZEL, Simone da Rocha. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura da produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/19/7>. Acesso em: 14 out. 2011.

Fontes consultadas
CGI.br. Zappiens Experimental: sobre o projeto. Disponível em:< http://www.zappiens.br/portal/visualizarTexto.jsp?midia=sbprojeto>. Acesso em: 14 out. 2011.

FCCN. Zappiens: o que é?. Disponível em: <http://zappiens.pt/pagina.php?id=1>. Acesso em: 14 out. 2011.

WIKIPÉDIA. Repositório institucional. Atualizado em 06 jan. 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reposit%C3%B3rio_institucional>. Acesso em: 14 out. 2011.

YOUTUBE EDU: aulas gratuitas de universidades americanas. 2010. Disponível em: <http://olhardigital.uol.com.br/produtos/central_de_videos/youtube-edu-aulas-gratuitas-de-universidades-americanas>. Acesso em: 14 out. 2011.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vídeo: imagem, som e informação




O vídeo enquanto fonte de informação incorporada pelos mais diversos segmentos da sociedade, representa um recurso dinâmico e interativo de conteúdos que vem ganhando espaço nas redes sociais, nos ambientes corporativos e sistemas de ensino.
Pode ser caracterizado como um canal democrático de divulgação em massa de conteúdos, devido a sua capacidade intrínseca de atingir diversos núcleos sociais através do som e da imagem. Permite, assim como acontece com outros suportes informacionais, uma interpretação individualizada, de acordo com o contexto social em que é disseminado. Tal recurso midiático, seja ele de natureza privada, institucional, educacional, etc., aliado à internet e seus inúmeros canais de comunicação, potencializa a interação entre os indivíduos e a comunidade global:
A convergência tecnológica parece tender a cancelar a validade de fronteiras entre diferentes tipos de produtos intelectuais e serviços informativo-culturais, bem como a suprimir as linhas divisórias entre comunicação privada e de massa, entre meios baseados em som e em vídeo, entre texto e vídeo, entre as imagens baseadas em emulsão e as eletrônicas e mesmo, a fronteira entre livro e tela. (MIRANDA, 2000).

A popularidade e a aceitação dos vídeos divulgados na web geram produtos, serviços e uma gama incontável de informações de utilidade pública. Lançam um novo olhar sobre as pessoas, sua relação com o outro e com as comunidades das quais fazem parte, sejam elas reais ou virtuais. Para ilustrar (HORN; HORN, 2011):
A linguagem audiovisual possibilita uma construção paralela do conhecimento, cada espectador constrói a sua experiência individual relacionada ao que vê e ouve. Quanto ao vídeo e a sua linguagem, Moran (1995) especifica:
A sua retórica conseguiu encontrar fórmulas que se adaptam perfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo. Usam uma linguagem concreta, plástica, de cenas curtas, com pouca informação de cada vez, com ritmo acelerado e contrastado, multiplicando os pontos de vista, os cenários, os personagens, os sons, as imagens, os ângulos, os efeitos.

O emprego do vídeo como ferramenta de apoio no processo de aprendizagem escolar torna-se uma prática crescente. Se bem selecionados e explorados, reforçam a assimilação de conteúdos e estimulam o pensamento crítico do aluno. De acordo com Dallacosta et al. (2004):
A utilização de vídeos na educação facilita a aproximação entre a realidade escolar e os interesses dos alunos. Vivemos um tempo em que as imagens assumem um papel de lazer com o qual a escola não pode competir.

Os vídeos e sua linguagem universal, caracterizados como instrumentos que acompanham as transformações sociais e a evolução dos ambientes de comunicação, podem ser utilizados estrategicamente por instituições públicas e privadas para a divulgação de produtos e serviços na internet e intranet para fins de capacitação, pelas redes de ensino no apoio à aprendizagem, por indivíduos que publicam produções independentes e ainda, como marketing pessoal nas redes sociais. A criatividade e a necessidade é que irão determinar o uso e a exploração do vídeo como via de acesso à informação e ao conhecimento.


Referências
DALLACOSTA, Adriana et al. O vídeo digital e a educação. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, 15., 2004, Manaus. Anais... Manaus: UFAM, 2004. Disponível em: < http://www.br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/view/343/329 >. Acesso em: 04 out. 2011.
HORN, Gustavo; HORN, Katia. O papel da informação. 2011. 1 vídeo. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=DbiI-kx_xyY&feature=fvsr >. Acesso em: 03 out. 2011.
MIRANDA, Antônio. Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos. Ci. Inf., Brasília, v. 29, n. 2, maio/ago 2000. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010019652000000200010&script=sci_arttart>. Acesso em: 03 out. 2011.
MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 2, p. 27-35, jan./abr. 1995. Disponível em: < http://www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm >. Acesso em: 03 out. 2011.